O comércio eletrônico sofre com a inflação elevada, juros altos, menor oferta de crédito ao consumo e aumento do desemprego. Isso foi o que mostrou grande parte dos dados coletados para o ano de 2016. Comparado ao ano anterior, o e-commerce teve uma queda de 2% no número de pedidos e de 7,4% no faturamento real do primeiro trimestre em São Paulo com relação a 2015.

Ainda assim, o uso de dispositivos móveis para a compra continua crescendo. No mês de junho de 2016, o mobile representou 23% das vendas no e-commerce. O tíquete médio também apresentou um crescimento de 7% com relação ao primeiro semestre de 2015, sendo de R$ 403,46.

O crescimento no valor do tíquete médio vem devido a maior participação das classes AB nas compras e ao aumento de vendas nas categorias de produtos de maior valor, como eletrodomésticos, telefonia e celulares, segundo dados registrados pelo Índice FIPE/Buscapé.

Com menor participação da classe C nas compras do e-commerce devido a crise, a renda média dos consumidores aumentou em 11% no primeiro semestre de 2016. O pagamento em apenas uma parcela (42% das compras) também é reflexo disso e da insegurança financeira.

Mesmo com a baixa em alguns números com relação ao esperado para esse semestre, o e-commerce promete crescimento. Isto porque os consumidores estão percebendo – e devem ser cada vez mais levados a perceber – que comprar no meio virtual permite uma decisão mais consciente, possibilitando a comparação de preço, tendo melhores condições de pagamento e não apresentando riscos para a segurança.

Nos últimos dois meses do primeiro semestre o e-commerce apresentou um crescimento nominal de 5,2%, com faturamento de R$ 19,6 bilhões. 23,1 milhões de consumidores realizaram pelo menos uma compra neste período de 2016, tendo um aumento de 31% com relação ao ano anterior.

Os consumidores estão planejando melhor suas compras e tendo mais cautela, levando mais tempo para tomar suas decisões. Isso é um ótimo dado para impulsionar os e-commerces a criar campanhas mais inteligentes no setor, melhorando a experiência de compra, realizando cross e up sell e aproveitando o maior tempo de convencimento para a compra.

Para isso, é preciso que os e-commerces percebam que suas campanhas precisam começar antes da venda, informando os consumidores de suas necessidades, apresentando opções para solucioná-las e só a partir disso introduzindo seus produtos. O funil de vendas passa a ser ainda mais importante para direcionar o cliente por todas as fases até que, enfim, decida por sua loja.

Com este cenário, o segundo semestre de 2016 promete o fortalecimento do setor com o crescimento das vendas na Black Friday e Natal. A expectativa é chegar a um volume total de encomendas próximo ao apresentado em 2015, de 106,5 milhões, com um tíquete médio de R$ 418.